25 de outubro de 2010

COLÓQUIO MILTON SANTOS .3



AS INSCRIÇÕES CONTINUAM ABERTAS!

O novo prazo para as inscrições é 05 de maio de 2011. 
Participe!

O evento será realizado entre os dias 06 e 07 de junho de 2011.

Abertura na Reitoria da UFBA, dia 06 de junho, às 19h.

Seqüência: dia 07 de junho no auditório do Instituto Anísio Teixeira - IAT (manhã) e no auditório da Faculdade de Comunicação - Facom/UFBA (tarde).


Grupos de Trabalho:
1. Políticas públicas orientadas à Cultura;
2. Transformações do espaço geográfico;
3. Novas tecnologias e sociabilidade;
4. Sou camelô, sou do mercado informal.


Envie o seu trabalho (com até 16 mil caracteres com espaço) com nome completo, instituição, formação escolar e os motivos pelos quais deseja participar para o e-mail: mestremiltongrupo@gmail.com

Para participar como ouvinte envie mensagem até o dia 05 de maio de 2011 ao email: mestremiltongrupo@gmail.com, com nome completo, instituição, formação escolar e os motivos pelos quais deseja participar.

24 de outubro de 2010

Globalização X cultura local: dilema?

Esse texto suscita um debate atual sobre a questão da diversidade cultural. É um embate travado principalmente entre os EUAs, que prega o livre comércio dos produtos e bens culturais, e a França, que tende a adotar ações mais preservacionistas com relação a cultura local. Nesse sentido, um marco normativo em defesa do respeito a diversidade cultural e que teve influência da articulação política brasileira é a Convenção sobre a proteção e a promoção da Diversidade das Expressões Culturais. 

Vale a pena acompanhar o texto!

 

Globalização X cultura local: dilema?

Um dos principais argumentos dos que advogam contra a globalização é que este fenômeno coloca em xeque a cultura local. Claro que há lógica econômica nesse argumento. Afinal, grande parte da difusão cultural hoje se dá por meio das mais diversas formas de mídia. Portanto, quanto maior a capacidade de reprodução em massa, maior a diluição do custo fixo e mais competitivos se tornam os países grandes produtores.

Com isso em mente, e com a hipótese razoável de que as pessoas gostam de variedade cultural, a política de taxação de produtos culturais estrangeiros, ou a imposição de quotas para a veiculação de mídia de fora tem potencial para melhorar o bem estar da sociedade. Ocorre que um recente estudo sobre o mercado mundial de música mostra que a cultura local não perdeu espaço nos últimos 50 anos de globalização. Vejamos mais detalhes.

Este mês dois professores da Escola de Negócios de Wharton, Ferreira e Waldfogel, publicaram estudo que compilou dados sobre a posição de músicas nas paradas de sucesso de 22 países, inclusive o Brasil, nos últimos 50 anos. A partir desses dados, os professores tentam responder a uma série de perguntas, dentre elas se a globalização deslocou a produção de música local, o quanto a distância entre países tanto em termos geográficos como em termos lingüísticos afeta o comércio cultural, se as novas tecnologias, como a internet e os canais de televisão especializados em música, tiverem impacto sobre o padrão de consumo de músicas. E, por fim, se a política de quotas de tempo de rádio para cultura local, implementada por países como França, Canadá, Nova Zelândia e Austrália, tem impactos sobre o consumo de músicas.

Respondendo de trás para frente, os dados mostram com clareza que quotas para músicas locais nas rádios aumentam a preferência por produção doméstica – a política é bastante efetiva. A distância geográfica é bem relevante para a importação de música, assim como ocorre no comércio de bens, apesar de os custos de transação serem muito pequenos nesse caso. A idéia é que a distância geográfica não tem impacto significativo na oferta (custo) do bem, mas maior distância implica menor contato com a cultura e, portanto, menos preferência por ela. A lógica para a proximidade lingüística é a mesma, como os dados comprovam.

Tudo isso é interessante, mas ao meu ver o principal valor do estudo é a descoberta de que, após 50 anos de globalização, o consumo de música local continua na faixa dos 70% na média de todos os países da amostra. No Brasil, esse número era de 60% na década de 60 e continua em torno do mesmo patamar.

Ocorre que a situação de hoje, comparada com a década de 60, não caracteriza, a dinâmica que teve a questão. Na verdade, a parcela de música local caiu na média em todo mundo para menos de 50% até meados dos anos 80. A tendência só começou a se reverter com a criação das MTVs locais, já que essas canais passaram a levar a produção cultural doméstica para a sala de tv das pessoas.

Antes disso havia apenas uma MTV, que ampliou em muito a difusão da música produzida na Grã-Bretanha, mais até do que a música americana.

Outra inovação tecnológica que contribuiu para reverter o processo foi a internet. A distribuição de músicas na rede mundial diminuiu o custo de divulgação de músicas pelos artistas locais. É isso mesmo, como mostram Gaspar e Glaeser (1998), a internet é um complemento à aglomeração física. A rede não encurta apenas longas distâncias, mas também reduz ainda mais as distâncias pequenas.

Enfim, o estudo é uma resposta elegante à preocupação que o ex-presidente francês François Miterrand externou na Rodada Uruguai, em 1993, quando se discutia a liberalização do comércio mundial. Naquela ocasião ele dizia: “ Se o espírito da Europa não é mais ameaçado pelas máquinas totalitárias (...), é ameaçado por seus novos senhores – mercantilismo, poder do dinheiro e da tecnologia. (...) O que está em questão é o direito de cada pessoa a sua própria cultura (...)”. Na verdade, ao que parece, as novas tecnologias estão revertendo o processo de concentração da produção cultural criado após o fim da 2ª Guerra Mundial.

Igor Barenboim Ph.D. em economia por Harvard e Subsecretário de Administração do Rio de Janeiro


Postado por Loran Santos

6 de setembro de 2010

Relato da reunião dos grupos de pesquisa Etnomídia e permanecer Milton Santos. Dia 03/09/2010.

Abertura:


Explanação da pesquisa Faces do Brasil para os novos membros do Etnomídia.



Informada a data da oficina de utilização do Sphinx:


Oficina ministrada por um técnico da Sphinx, no dia 28/09, com jornada de 07 horas. Das 09h às 12h e das 14h às 18h, na sede da Omi-Dùdú.



Informada a data da oficina com a Andi:


Oficina realizada nos dias 30/09 e 01/10, por um especialista da Andi e com a participação de um representante da Fundação Ford. Horário: Das 09h às 12h e das 14h às 18h, na sede da Omi-Dùdú.



Apresentação dos jornais e revistas assinados pela pesquisa:


Fabio Bittencourt (voluntário) vai monitorar o jornal O Estado do Maranhão (sob a responsabilidade de Wellington Oliveira), a partir do dia 01/09. Já foi passado para ele o login e a senha para acesso à versão digital, além de uma planilha para catalogação de dados.



Marilucia Leal (voluntária) vai monitorar o jornal A Folha de Boa Vista (sob a responsabilidade de Wellington Oliveira), a partir do dia que passar a ser entregue a versão impressa.



Karina Ribeiro (voluntária) vai monitorar a revista Carta Capital (sob a responsabilidade de Ana Paula), a partir do dia que passar a receber os exemplares. Fernando Conceição ficou responsável por transferir o endereço de entrega da assinatura.



Vanice da Mata (voluntária) vai monitorar o jornal Diário de Pernambuco (sob a responsabilidade de bolsista a ser contratado para substituir Jaqueline Barreto), a partir do dia que passar a receber os exemplares. Paul ficou responsável por acompanhar situação da assinatura.



Informada a data da reunião geral da pesquisa Faces do Brasil:


Dia 13/09, às 14h30, na sede da Omi-Dùdú.



Firmou-se para a próxima reunião do Etnomídia, dia 17/09, dentro do projeto “Que Papo é Esse?”, a finalização da leitura do livro “Por Uma Outra Globalização”, de Milton Santos, sob a responsabilidade de Moabe Costa.


Ficou marcado para a próxima terça-feira (07/09) o anúncio do nome da nova bolsista da pesquisa Faces do Brasil, em substituição a Jaqueline Barreto.


Foram apresentadas as informações gerais sobre o Colóquio Milton Santos .3.


Fernando informou sobre a sua viagem para São Paulo no próximo dia 23/09, para cumprir atividades relacionadas à pesquisa sobre a vida de Milton Santos. As bolsistas Milena e Jordana poderão acompanhá-lo.


Thiago Pereira vai trazer versões do seu Trabalho de Conclusão de Curso para distribuir entre os membros do grupo na próxima reunião, dia 17/09.


Lançamento do projeto “Que Papo é Esse?”, com palestra de Willys Santos, sobre o Enigma Baiano.

Att.

Wellington Oliveira
(71) 33218845 / 92555525 / 88443422

5 de setembro de 2010

A ditadura militar e Milton Santos

Em decorrência de pesquisas feitas no Instituto Histórico e Geográfico da Bahia, entrevista com o Historiador Cid Teixeira, artigos de jornais do país entre outras fontes de pesquisa, esse trabalho apresenta algumas informações - obtidas até então - sobre a trajetória do Professor Milton Santos antes, durante e após o golpe da ditadura militar no ano de 1964 no Brasil.

Instalado no país desde seu retorno da França, em 1958, após concluir o doutorado na Universidade de Estrasburgo, Milton Santos já havia criado o Laboratório de Geomorfologia e Estudos Regionais da Bahia; passado pelo Jornal A Tarde e pela Empresa Gráfica da Bahia, além de ter escrito alguns livros, quando teve sua prisão decretada pelo então coronel Humberto Melo, responsável pelo 19º BC na época, localizado até hoje no bairro do Cabula.

Entretanto, a arbitrária prisão de Milton Santos na madrugada do dia 31 de Março para 1º de Abril de 1964, teve uma “explicação” devido a sua vida política e de militante estudantil e de interesse da população. A começar por sua intensa e significativa participação na candidatura da Bahia para concorrer à presidência da UNE, em 1946, com o candidato Methódio Coelho (ainda que o nome mais cogitado fosse o do próprio Milton Santos), segundo Geraldo Milton da Silveira. Também teve significativa participação na gestão da diretoria do comitê de Eduardo Gomes, candidato da UDN para presidência contra Eurico Gaspar Dutra – apesar de não ser filiado ao partido.

Com o passar dos anos, o professor Milton jamais deixou de militar em prol de uma melhoria para o país, através de seus livros e estudos, além de suas pesquisas no Laboratório de Geomorfologia; nunca foi filiado a partido político, mas tinha amizades com pessoas da esquerda, inclusive seu irmão Nailton que era militante do PC do B na época. O fato de no ano de 1961 o então presidente Jânio Quadros ter-lhe nomeado como seu representante na Bahia, estreitou-se os laços com a vida política do país. Apesar de ter perdido seu cargo com a renúncia de Jânio, continuou representando o governo brasileiro durante a presidência de João Goulart, que fora sucessor do presidente que havia renunciado, e para os de extrema direita, a nova presidência representava uma ameaça de um possível socialismo no país; sendo assim, João Goulart é deposto e instaura-se uma ditadura militar.

Todavia, por ser amigo de personagens da política e o seu envolvimento com pessoas da esquerda, fez com que ele passasse a ser uma ameaça para o governo ditatorial. No entanto, segundo Cid Teixeira, ele foi preso por que os militares precisavam achar culpados. Diante das palavras da professora Mª Auxiliadora da Silva, para um texto disponível na internet, sabendo que Milton corria perigo, o cônsul honorário da França na época, professor Van der Haegen, teria convidado o mesmo para abrigar-se em sua residência, mas de nada adiantou. Com isso, Milton Santos foi preso por um ex-capitão do Exército por nome de Victor Hugo, reformado por “insanidade mental”, encarregado de “missões especiais” na Bahia, no 10º andar do edifício Napoli, bem em frente ao Farol da Barra. Ainda segundo Sebastião Nery, ele encontrou Milton na prisão, sereno, sorridente e sábio.

Apesar das informações serem desencontradas, sabe-se que o professor passou pelos quartéis de Salvador até ser exilado. O 19º BC e o Forte do Barbalho foram destinos confirmados por amigos de Milton, como o professor Cid Teixeira que o visitou algumas vezes no Forte do Barbalho que era quartel do exército na época; e o 19º BC, onde o professor Geraldo Milton da Silveira tentou vê-lo, mas foi impedido.
Quanto à “soltura” do professor em virtude de ser levado ao exílio, há contradições. Na maioria das informações recolhidas sobre o fato, Milton Santos teria sido solto por complicações em sua saúde, mas, segundo Sebastião Nery, na noite de véspera de São João, Milton passou mal sim, mas foi liberado por causa de apelos de professores – inclusive o próprio Van der Haegen, que serviu de intermediário entre o governo francês e o coronel Humberto Melo nas negociações, segundo a professora Mª Auxiliadora - e intelectuais franceses, colegas de Estrasburgo, ao historiador francês Fernand Braudel que tinha forte influência na embaixada francesa.

Contudo, após sua libertação da prisão e sua passagem pelo hospital, o professor Milton Santos ficou exilado durante 13 anos, onde passou por diversos países estudando cada cultura e lecionando em universidades renomadas e conhecidas por todo o mundo, mas encontrou seu “lar” na França, casando-se novamente com dona Marie Hélene.






Referência Bibliográfica

Correio Braziliense. Página 4 Brasília-DF, 1º deJulho de 2001. Histórias de Sebastião Nery.

SILVA, M. A. ; DIAS, Clímaco ; TOLEDO JUNIOR, Rubens de . Apresentação. In: Maria Auxiliadora da Silva; Clímaco Dias; Rubens de Toledo Junior. (Org.). Encontro com o Pensamento de Milton Santos. 1 ed. Salvador: Empresa Gráfica da Bahia, 2005.

Revista Caros Amigos. Coleção Caros Amigos. Grandes Cientistas Brasileiros. Fascículo 3. Editora Casa Amarela – São Paulo. Pgs 67-80.

Entrevista cedida pelo professor e historiador Cid Teixeira no dia 26 de Abril de 2010.

Disponível em: http://devel.fpabramo.org.br/conteudo/biografia-do-milton-santos. Acesso em 05 de Julho de 2010.




* Texto elaborado por Jordana Feitosa de Oliveira. Graduanda do curso de Comunicação Social - com habilitação em Produção da Comunicação e Cultura - pela Universidade Federal da Bahia e Integrante do Grupo de Pesquisa Permanecer Milton Santos.

3 de setembro de 2010

Vem aí mais um Colóquio!

O Grupo Permanecer Milton Santos está nos preparativos para a realização do Colóquio Milton Santos.3, que trará grandes pensadores sobre a cultura e o mercado. Aguarde! Veja abaixo a minuta:



COLÓQUIO MILTON SANTOS.3

CULTURA LOCAL/MERCADO GLOBAL

Desafios de 10 anos com Milton Santos em pensamentos

29 e 30 de novembro de 2010, Salvador/Bahia



Proponente: Grupo de Pesquisa Permanecer Milton Santos

Parcerias (prováveis): IAT – Instituto Anísio Teixeira/SEC; Reitoria da UFBA; Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade.

Instituição: Faculdade de Comunicação da UFBA


Datas:

29/11/10 – 19h – Salão Nobre da Reitoria da UFBA. Mesa de abertura e Conferências Especiais.

30/11/10 - 8h às 10h30 – Auditório do IAT, Av. Paralela: Abertura e Debate I.

- das 11h às 12h30 - Debate II.

(Almoço e deslocamento para campus Ondina)

- 14h30 às 17h: Salas e Auditório da Facom: Apresentação de Grupos de Trabalho (GTs).

- 18h: Atividades culturais de encerramento.


Justificativa


O evento faz parte das atividades do Grupo de Pesquisa Permanecer Milton Santos do Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade, com registro no CNPq. O evento pretende proporcionar um espaço de reflexão sobre o pensamento do geógrafo e educador Milton Santos, com destaque para sua análise sobre a cultura local e o mercado global. Pela importância do trabalho de Milton Santos na formulação de um pensamento original sobre a realidade brasileira e os problemas gerados pela nova fase de globalização do capitalismo, faz-se necessário propiciar oportunidades de aprofundamento das idéias desse pensador, oferecendo as novas gerações momentos para a troca de experiências e aprendizado acadêmicos a partir das idéias miltonianas.

Vale destacar que o Colóquio Milton Santos mereceu a adesão do Instituto Anísio Teixeira (IAT) de formação pedagógica no Estado da Bahia, constituindo-se a partir de então em atividade co-organizada. Professores da rede pública de ensino de todo o território baiano terão acesso ao colóquio, em rede, a partir da transmissão por videoconferência.


Objetivos


- Propiciar um espaço de discussão e reflexão acadêmica focada no pensamento de Milton Santos sobre o papel da Cultura local e do Mercado global na construção de um mundo melhor;

- Envolver as comunidades do entorno da Ufba a partir das trocas entre as manifestações da cultura local e do conhecimento acadêmico

- Possibilitar o intercâmbio de experiências entre estudiosos da obra e da vida de Milton Santos, com ênfase nos estudos críticos sobre a nova fase da globalização econômica;

- Contribuir para o reavivamento da memória do geógrafo e pensador Milton Santos (1926-2001).

- Contribuir para a formação e atualização de estudantes, professores da rede pública e demais interessados, a partir das idéias propostas por Milton Santos.


Instituições/órgãos envolvidos:


- Faculdade de Comunicação da UFBA;

- Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade;

- Instituto Anísio Teixeira do Governo do Estado da Bahia

- Pró-Reitoria de Extensão da UFBA;

- Reitoria da UFBA

- CMA Hip Hop


Equipe Organizadora


Coordenador: Prof. Dr. Fernando Conceição

Secretaria e Apoio: Equipe de estudantes e colaboradores do Grupo Permanecer Milton Santos

Equipe técnica da Facom e do IAT.


Programa


- De 18 de outubro a 18 de novembro: Inscrições de trabalhos individuais ou em grupos (texto de até 16.000 palavras com espaçamento). Envie seu texto e identificação, com formação acadêmica e instituição de que faz parte, para o seguinte e-mail: mestremiltongrupo@gmail.com

- De 25/10 a 19/11: Divulgação contínua de trabalhos aceitos,

- 29/11, 19h – Mesa de abertura no salão nobre da reitoria da Ufba

- 30/11, 8h – Recepção/Instalação do Colóquio. Local: sede do IAT na Av. Paralela

9h – Mesa Redonda I

10h15 – coffee-break

11h – Mesa Redonda II -

12h30 – Almoço

13h30 – Deslocamento em ônibus do IAT para a Facom (Ondina).

14h00 – Recepção na Facom.

14h30 – Grupos de Trabalhos (GTs) por temáticas.

17h – Plenária no auditório

18h – Mesa de finalização

18h30 – Apresentação cultural e entrega de certificados

19h – Coquetel de encerramento


Milton Santos e a Imprensa baiana

Apresentação

Os registros abaixo, sobre a vida e obra do intelectual Milton Santos (MS), foram feitos a partir de pesquisas realizadas em periódicos, artigos e sites. Houve visitas ao jornal A Tarde, ao Instituto Geográfico e Histórico da Bahia e à biblioteca da Empresa Gráfica da Bahia - Egba, antiga Imprensa Oficial da Bahia.



Atuação no jornal A Tarde


MS, com formação em Direito (1948), lecionava geografia desde o fim da década de 1940 até resolver ir à Salvador, em 1954. Nesse ano, ele ingressou como professor na Faculdade Católica de Filosofia. A vivência naquela faculdade li rendeu grande influência dos mestres franceses de Geografia, ali também ele foi apresentado ao Dr. Simões Filho, proprietário e diretor do Jornal A Tarde.

Em 1956, a convite do Dr. Simões Filho, não se sabe quem o recomendou, ele começou a atuar como Redator editorialista, função que ocupou até o Golpe Militar em 1964.

Segundo Jorge Calmon, companheiro de trabalho no jornal, MS, apelidado por ele de “Juca pato”, tal como chamava o jornalista da abolição, João do Patrocínio, no tempo do império, dava muitas gargalhadas na redação ao ouvir casos e anedotas narradas pelo companheiro Mário Piva.

Milton Santos, justamente com Mário Piva e outros redatores preparavam os artigos não assinados do Jornal, que expressavam a opinião da gazeta de Simões Filhos. Também alternava com Ary Guimarães, que morreu em Junho de 2009 e foi professor de ciência política na Faculdade de Direito – UFBA, o preparo dos escritos editorialistas do jornal, publicado na terceira e, mais tarde, na quarta página.



Passagem pela Imprensa Oficial da Bahia

Juracy Magalhães assume o governo baiano em 1958 e substitui Percy Esteves Cardoso por Milton de Almeida Santos na Direção da Imprensa Oficial da Bahia, atual Empresa Gráfica da Bahia – Egba, responsável pelo Diário Oficial da Bahia. Segundo o livro com a história da Egba, MS, a partir de Junho de 1959, deu uma orientação segura e abriu novas perspectivas para o seu funcionamento, especialmente na parte referente à atividade editorial.

Nessa época, MS tinha o cargo de Professor de Geografia Humana na Faculdade de Filosofia da Universidade Católica do Salvador e havia regressado, a pouco tempo, da França, onde, na Universidade de Strasbourg, obtivera o título acadêmico de Doutor. Ocupava ainda o posto de diretor do Laboratório de Geomorfologia e Estudos Regionais da Universidade da Bahia, recentemente instalado pelo reitor Edgar Santos.
Dois meses depois de sua posse, em Junho de 1959, por ocasião do IV Colóquio Internacional de Estudos Luso-Brasileiros, realizado em Salvador, seria lançado o livro “A rede urbana do Recôncavo”, dos integrantes do Laboratório de Geomorfologia e Estudos Regionais da Universidade da Bahia.

Logo em seguida, uma das suas primeiras ações como diretor foi criar o Conselho Editorial da Imprensa Oficial, havendo convidado o jornalista e escritor Nelson de Araújo, principal responsável pelo êxito da iniciativa tomada. Milton Santos modernizou tecnologicamente o parque Gráfico, o que influenciou na produção de seu programa editorial, destacando-se no período os lançamentos da Revista da Bahia, Revista Tule e da Coleção Tule (1960) , que levaram a público o melhor da literatura baiana, divulgando autores como Vasconcelos Viana, Nelson de Araújo, Clarival do Prado Valadares e Wilson Rocha, entre outros.

Depois foram editados os ensaios de Thales de Azevedo intitulado “Problemas sociais da exploração do petróleo na Bahia” e, em colaboração com a Livraria Progresso Editora, na época, a melhor da Bahia, o livro “Panorama do Conto Baiano” reunindo trabalhos de vários autores, entre os quais Jorge Amado, Jorge Medaur, Glauber Rocha e João Ubaldo Osório, selecionados por Vasconselos Maia e o próprio Nelson de Araújo, falecido em 1973. Sabe-se que as ações editorialistas de MS influenciou a gestão de boa parte dos gestores sucessores.

Em 4 de Julho de 1961 MS pediu demissão do cargo de Diretor da Imprensa Oficial da Bahia, após ser nomeado pelo presidente Jânio Quadros na Presidência da República, para exercer o posto de Subchefe da Casa Civil. Nessa mesma época, MS foi aprovado no concurso para Catedrático Interino de Geografia Humana na Faculdade de Filosofia da Universidade da Bahia.

Ainda em 1961, Josaphat Marinho, que antes exercera as funções de Chefe de gabinete do Secretário de Interior e Justiça, assumiu a função de diretor do órgão e reduziu em 50% o pessoal da Imprensa Oficial, visando equilibrar a situação financeira do estabelecimento e corrigir as distorções que nela se vinham acumulando, havia vários anos, na distribuição de encargos e funções. Assim, apesar das duras críticas, conseguiu saldar as dívidas e entregá-la ao seu sucessor, a 20 de abril de 1963, com significado saldo em Caixa.



Referências:

Livro: “Encontro com o pensamento de Milton Santos”. Autores: Maria Auxiliadora, Rubens de Toledo Junior e Clímcao César Siqueira Dias (org.). Páginas: 31,32 e 33

Livro: “História da Egba” . Autor: Walmir Freitas Oliveira. Parte (a obra não possui páginas): “A imprensa Oficial da Bahia no segundo governo de Juracy Magalhães”.

Artigo: “Panorama da história da editoração em Salvador/Bahia”, acessado 24/01/2010.
http://www.livroehistoriaeditorial.pro.br/pdf/flaviagoullartesusanesantos.pdf

“Cultura brasileira perde o geógrafo Milton Santos (Jornal A Tarde, caderno Local, 25/06/2001)

Nelson de Araújo, Vida e Obra. Acessado 25/01/2010. http://blogdogutemberg.blogspot.com/2006/11/nlson-de-arajo.html

Milton Santos. Vida e Obra. Acessado 05/02/2010. http://www.ub.es/geocrit/sn/sn-124.htm e http://ilheuscomamor.wordpress.com/2009/02/13/milton-santos/.


* Texto elaborado por Loran Santos, estudante de Comunicação Social – Habilitação em Produção em Comunicação e Cultura da UFBA e membro do Grupo de Pesquisa Permanecer Milton Santos.

Relato da reunião dos grupos de pesquisa Permanecer Milton Santos e ETNOMÍDIA – 20/08/10

  1. Apresentação do professor José Roberto Sobrinho:

O professor foi convidado a integrar o grupo de pesquisa Etnomídia. Ele falou sobre as suas pesquisas de mestrado e doutorado; sobre os seus trabalhos de extensão que o aproximaram de comunidades quilombolas no estado de Santa Catarina; e da sua participação em conferências de educação, oferecendo conteúdo para subsidiar as discussões.

  1. Bolsistas do Permanecer Milton Santos apresentaram os seus planos de trabalho para o semestre:

a) Retomar as entrevistas que ainda precisam ser feitas para a complementação do plano de trabalho;

b) Trabalhar na preparação do Colóquio Milton Santos;

c) Retomar o trabalho com o blog “Permanecer Milton Santos”, mantendo-o atualizado.

  1. Fernando Conceição apresentou o andamento da sua parte no trabalho:

Entrevistas com a viúva, com o filho, com parentes e amigos de Milton Santos.

  1. Apresentação do projeto de doutorado do mestre Moraes: sobre a capoeira e os processos de globalização, os seus problemas e perspectivas.
  2. Firmou-se para o dia 17/09: debate sobre o ante-projeto de graduação do aluno Wellington Oliveira.
  3. Apresentação do andamento da pesquisa Faces do Brasil:

a) Andamento da assinatura dos jornais e revistas;

b) Andamento do processo de contratação do software;

c) Andamento do trabalho dos bolsistas.

  1. Discussão do tópico 13 e finalização da leitura do 3º cápitulo de “Por Uma Outra Globalização”, de Milton Santos.
  2. Próxima reunião marcada para o dia 03/09.

Att.

Wellington Oliveira

24 de agosto de 2008

COLÓQUIO MILTON SANTOS.2 - Veja a lista de GTs, autores e temas

GTs têm início às 14h30 em 4 salas distintas da Facom.
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GT 1. – Educação e o mundo.

REBECA BASTOS
- A educação como agente da globalização que queremos.
MARIA DA CONCEIÇÃO BORGES
- O local e o global.
CRISTIANO CARDOSO
e RITA PEDREIRA
- Na dança do conhecimento e suas idiossincrasias.
ANTÔNIO MATEUS DE CARVALHO
- Uma outra educação é possível.

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GT 2. – Identidades, razão e emoção.

JUCÉLIA SILVA
- A identidade quilombola.
TIAGO SANTOS DE SANTANA
- Globalização de uma cultura jovem.
ELENIRA ONIJA
- Razão e emoção na obra de Milton Santos.
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GT 3. Cultura midiática: aspectos sociológicos.

JULIO CESAR ALCANTÂRA DOS SANTOS
- Comunicação e cultura: as ferramentas totalitárias da comunicação.
JOSE PERICLES DINIZ
- O lugar do comunitário no jornalismo regional.
GILMARA SILVA PEREIRA
- Análise dos aspectos sócio-econômicos do Nordeste.
ANA CARLA PORTELA
- Violência, mídia e educação.
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GT 4. Território e Cyber-geografia.

REINALDO S. ANDRADE
- Proximidades geográficas.
JULIANA COSTA
e CAMILA XAVIER
- Novos territórios de aprendizagem: o corpo, tecnologia no ciberespaço.
DANIELE BORGES
- Técnicas no espaço e no ciberespaço.
SUEIDE KINTÊ
- Território e imagem: a influência do espaço na composição da identidade.

15 de julho de 2008

COLÓQUIO MILTON SANTOS.2

"O local e o global no pensamento de Milton Santos: Educação, Cultura e Geografia Cyber-humana".

VEJA PROGRAMAÇÃO ABAIXO (novo!)

Data: 25 de agosto de 2008 (manhã e tarde), em Salvador/Bahia.

Local: Manhã: Instituto Anísio Teixeira (IAT), Av. Paralela.
Tarde: Faculdade de Comunicação (Facom), campus UFBA/Ondina.

Inscrições: De 18 de julho a 22 de agosto, via internet. E-mail: coloquioms2@gmail.com ou http://www.sec.ba.gov.br/iat/.

“Não existe um espaço global, mas, apenas, espaços de globalização. O mundo se dá, sobretudo, como norma, ensejando a espacialização, em diversos pontos, dos seus vetores técnicos, informacionais, econômicos, sociais, políticos, culturais.São ações ‘desterritorializadas’, no sentido de teleagidas, separando, geograficamente, a causa eficiente e o efeito final”. (Milton Santos, A Natureza do Espaço: Técnica e Tempo, Razão e Emoção, 1996, p. 271.)

PALESTRANTES CONVIDADOS ESPECIAIS
Reitor Naomar Almeida Filho (foto), da Universidade Federal da Bahia (UFBA).
. Professora Maria Auxiliadora, Instituto de Geociências/UFBA.
. Professor Márcio Cataia, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
. Professor Alcindo José de Sá, Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
. Professor Aldo Dantas Silva, Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).


O evento é organizado pelo Grupo de Pesquisa Permanecer Milton Santos/UFBA, em parceria com o Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade, com o Instituto Anísio Teixeira da Secretaria Estadual de Educação da Bahia (IAT), e com a UFRB - Universidade Federal do Recôncavo Baiano, através do Centro de Artes, Humanidades e Letras (CAHL) e do Núcleo de Estudos em Sociedade, Poder e Cultura (Nespoc). O evento, na parte da manhã, durante palestras dos convidados especiais, será transmitido por videoconferência para todo o Estado da Bahia, a partir do auditório do IAT na Avenida Paralela (Salvador).

Os inscritos poderão submeter trabalhos (ensaios, artigos) ou participar como ouvintes. Os textos aprovados podem ser publicados como capítulos de livro, a exemplo do livro a ser lançado agora em 2008 com textos apresentados no 1º Colóquio.

Submissão de trabalhos:
Para submissão de trabalhos aos GTs relacionados aos eixos do tema (Educação, Cultura e Geografia Cyber-humana): Texto de no máximo 18.000 caracteres incluindo espaços, na fonte Times New Roman, corpo 12. Os textos aprovados serão apresentados por seus autores nos GTs que acontecerão apenas no período da tarde, na Facom.

Participação como ouvinte:
É necessária inscrição por e-mail ou pelo site do IAT (especialmente professores da rede pública).

Assista ao vídeo: A visão de Milton Santos sobre a Sociedade Global



P R O G R A M A Ç Ã O

Manhã: Auditório do IAT
8h30 – Abertura por representantes do IAT e do Grupo de Pesquisa Permanecer Milton Santos, e instalação da mesa de videoconferências.

Coordenação: Prof. Maria Auxiliadora Silva (UFBA).

9h às 10h30 – Videoconferências: Prof. Naomar Almeida Filho (Reitor da UFBA) e Prof. Alcindo José de Sá (UFPE).
10h30 às 12h – Videoconferências: Prof. Aldo Dantas Silva (UFRN) e Prof. Márcio Cataia (Unicamp).

12h às 12h30 – Lançamento do livro Educação, Comunicação e Globalitarismo (Edufba, 2008).

12h30 às 13h30 – Almoço.
13h30 às 14h – Deslocamento para a Facom.

Tarde: FACOM (Ondina)
14h30 às 16h30 – Instalação dos Grupos de Trabalho (GTs) para discussão dos temas, em salas específicas.
16h45 – Plenária com a síntese das discussões dos GTs, no auditório da Facom.
17h30 – Mesa Redonda final (convidados a confirmar).
18h30 – Atividade cultural em memória de Milton Santos.
19h – Coquetel de encerramento.

LEIA A MEMÓRIA DE 2007:Colóquio Milton Santos no Noblat

O texto abaixo foi retirado do blog do Ricardo Noblat, um dos mais bem sucedidos jornalistas do país, que mantém um blog sobre política no portal do jornal O Globo


Permanência de Milton Santos

Quando foi anunciada a morte do professor Milton Santos, em um hospital de São Paulo, na tarde de 26 de junho de 2001, eu estava na reitoria da Universidade Federal da Bahia, onde meses antes ele ministrara a aula inaugural mais empolgante que já vi. A fala fora interrompida inúmeras vezes pelos aplausos ardentes de estudantes e mestres que lotavam todas as dependências do auditório do prédio solene do bairro do Canela , invadido esta semana por agentes da Polícia Federal, para retirar alunos que o ocupavam há mais de 40 dias, por desentendimentos com o reitor.
Foi tamanho o impacto causado pela notícia na Bahia e no País inteiro, dentro e fora dos muros da academia, que logo me veio à mente um velho ditado chinês, que diz mais ou menos assim: há mortes que pesam menos que uma pluma, mas há outras que pesam toneladas.

O cidadão geógrafo, como gostava de ser chamado o baiano de Brotas de Macaúbas ganhador do Prêmio Vautrin Lud (espécie de Nobel da Geografia), enquadra-se seguramente no segundo caso. Milton Santos, no entanto, vai muito além. Ele faz parte de rara galeria de personalidades para as quais não existem balanças com capacidade de tonelagem suficiente para medir o peso completo de perdas como a dele. No Brasil atual, essa é uma verdade mais evidente a cada dia.

Na próxima semana, dia 23, Salvador será a sede do "Colóquio Milton Santos", promovido em conjunto pelo Instituto Anísio Teixeira (IAT) e o grupo Permaner Milton Santos da Faculdade de Comunicação da UFBA, onde seguramente o fenômeno se evidenciará de novo. Haverá, é certo, um toque de saudade no campus, como é de praxe em território de tanta influência ibérica. Mas, seguramente, o que prevalecerá nas exposições e debates é o notável sentido de atualidade e permanência de tudo que Milton Santos falou, ensinou e defendeu do começo ao fim de uma existência invulgar.

Professores e pesquisadores como Samira Peduti, da Unesp; Marcio Antonio Cataia, da Unicamp; Maria Auxiliadora da Silva e Clímaco Dias (IGEO-UFBA) , estão entre os principais expositores e debatedores do pensamento de Milton Santos nesse Colóquio na terra do geógrafo, que tem dívidas impagáveis com a sua memória. Assim como a UFBA, a universidade onde ele estudou, ensinou e ajudou a projetar, mas de onde foi arrancado da cátedra para a cadeia em tempos temerários e forçado a buscar asilo fora do país para continuar ensinando e para manter a família com a dignidade de que jamais abriu mão.

MS, como registra a professora Maria Adélia da Souza, foi um exilado político, mas, ao contrário de muitos, nunca tirou proveito disso: “jamais se comportou como vitrine do regime militar”. Comeu o pão que o diabo amassou para se estabelecer e principalmente para reingressar na vida e nas universidades brasileiras. De volta do exílio, detentor do maior prêmio mundial da geografia, “Milton se instala não como herói que volta carregado nos braços do povo. Difícil, cautelosa e profundamente vai se impondo como um dos principais pensadores e intelectuais brasileiros”, resume Maria Adélia.

Apesar da profundidade e da complexidade do seu pensamento, MS tinha extraordinária capacidade de comunicação e de amplificar o alcance e a absorção de suas idéias e propostas para um público inimaginável, muito além dos jardins da academia. Quem não recorda da espantosa repercussão da entrevista ao programa Roda Viva, em 1998, três anos antes da sua morte?

Naquela noite, registram jornais e acadêmicos seguidores de MS, todas as linhas telefônicas da emissora, em São Paulo, ficaram congestionadas, com ligações feitas de todas as partes do País. Eram pessoas emocionadas, que queriam fazer perguntas ou simplesmente agradecer pelo programa que acabavam de assistir. É isso o que também se projeta, por exemplo, no público que assiste ao documentário cinematográfico de Silvio Tendler, produzido a partir da última entrevista do professor ao cineasta.

O Colóquio do dia 23, na capital baiana, tem como um dos principais responsáveis o professor de Comunicação da UFBA e amigo pessoal, Fernando Conceição, a quem Milton Santos autorizou escrever a sua biografia antes de morrer. Os depoimentos serão elementos preciosos para o trabalho e os debates irão girar em torno de três temas fundamentais na obra e na vida do mestre brasileiro: educação, comunicação e globalização.

Em cada um deles, MS fincou marcas decisivas de quem não se cansava de proclamar que o intelectual existe para causar desconforto, é esse o seu papel, e ele tem que ser bastante forte sozinho para exerce-lo. Pouco antes de partir, ele afirmou: “Não há nenhum país mais necessitado de verdadeiros intelectuais, no sentido que dei a essa palavra, do que o Brasil”.

Seis anos depois do seu desaparecimento, a sentença de Milton Santos ainda queima como brasa acesa.

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitors.h@uol.com.br